Fincada na terra, andando entre aqueles que plantados por aqui também estão, desconhecia a imensidão que fora do chão há.
Tantas noites eu andei envolvida pelo céu, tantos dias eu me enxerguei naquele firmamento.
Eram estrelas que encantavam a alma, que escutavam o peito,
luzes que sorriam na espera de um dia lá, eu, poder chegar.
Muito caminhei, por entre os sonhos dos outros fiz escadas. Eu queria chegar lá, só precisava está lá.
Mas de nada adiantava juntar tantas peças para ir ao mais alto dos destinos, eu não conseguia montar, não dava para alcançar.
Conhecer as estrelas e a beleza do alto, a liberdade, o corpo solto, a alma leve e de lá de cima enxergar o que as vistas cegas, do chão, não atingiam.
Deixei de ver as estrelas, fui rendida pelo desafio.
Enclausurei-me nos portões, e já estava a esquecer dos sorrisos que ainda luziam.
Sentada vendo a vida passar sentir uma brisa doce despertar o corpo ainda agudo pelo desejo.
Eram asas que tomaram de rompante a minha cintura e no bater do vôo, abraçadas a mim, decolaram.
Ainda não entendia como? Como isso assim?
Era o vôo que eu esperava.
Eu só precisava de asas.
Do alto, sentir um mundo dentro dos meus braços, que de tão ébrios pelo desejo eminente se abriram para agarrar toda aquela vastidão.
Segura, não senti medo de cair...
Meus olhos cairam no mundo a procurar, nada encontravam... Apenas senti que ali em algum lugar deveria está.
E estava!
Estava a me tomar.
Entre as asas a imensidão que queria enxergar.
Feito de luz, feito dos sorrisos que luziam...
Veio como enviado, como destinado...
E segura estou!
E agora, em qualquer lugar em que eu esteja o mundo será esse que cabe nos meus braços, será essa liberdade.
Visitarei as estrelas, andarei por entre os outros, mas fincada não mais, porque asas eu ganhei.
E entre elas eu sempre estarei.
Fase: Aprendendo a voar.


