segunda-feira, 7 de março de 2011

Do que tive (tenho)... o que não terei?




Tenho um corpo cansado, um peito ferido, olhos perdidos e uma razão muda que agoniza por atenção.
Tenho uma alma que pede clemência aos meus desenganos.
No peito ferido, um coração que insiste pulsar, mesmo lento, mesmo incrédulo, mesmo no âmago da prece de minha alma, persiste em pulsar. Sem alguém, ninguém, sem eira nem beira, sem um alimento, um alento, um amor para amar, ele insiste... Insiste em me fazer sofrer, nos clichês, na incoerência, nos auxes, nos falsos caprichos de uma madrugada de insônia adentro.
Tinha a satisfação nos olhos, as luzes do alvor como uma esperança crescente de mundo que passava nascer dentro de mim.
Não consigo entender a ânsia de minha razão, só sinto resvalar o cheiro podre por tamanha irresponsabilidade de dela não cuidar.  Pobre de ti.
Num canto qualquer de mim, comprimida, chorosa, suja, perturbada e insana, a alma me culpa, me xinga, me esquece.
Chão borrado, paredes escuras... Em um silêncio pavoroso ecoa meus passos.
Procuro um sentimento para me acompanhar na peregrinação, nem a raiva, a magoa, o ódio, a decepção, a tristeza, nem mesmo a pena de mim ou por alguém. São passos, desgovernados, solitários que caminham em um corpo vazio.
Tinham em mim todos planos, os mágicos sonhos, o corpo vívido, o peito seguro.
Tinha os braços abertos, os medos domesticados, os dentes a mostras e um Q que nunca soube ou saberia explicar.
Tive coragem, mas do que medos... Encarei meu pessimismo, pisei no meu orgulho e em minha ética, para arriscar.
Não é arrependimento, é cansaço... Todo esse muuundo já está gasto, está penado.
De tudo o que tive, não sei se mais terei. Bom aprender, ou melhor, reaprender, de novo isso aqui não tem nada, novo mesmo só é a fadiga que encarna em mim.
Que eu tenha pelo menos os amanhãs, pois a única certeza, a que me move, é de que nunca é tarde para recomeçar.



Fase: ?




Nenhum comentário:

Postar um comentário